Estratégia

Porque 56% das suas campanhas falham antes de começar (e como evitá-lo)?

A maioria das campanhas falha não porque a execução foi medíocre, mas porque ninguém se deu ao trabalho de fazer o trabalho aborrecido antes de começar.

O trabalho aborrecido não vende. Não ganha prémios de criatividade. Não impressiona em reuniões.

Consiste em sentar-se sozinho durante dias inteiros a estudar dados de comportamento do cliente, a testar variações de mensagens que diferem apenas numa palavra, a eliminar ideias brilhantes que os dados provam serem ineficazes.

É o tipo de trabalho que leva uma equipa de marketing a apresentar três emails simples depois de seis semanas de preparação, enquanto o director financeiro pergunta em voz alta porque é que demoraram tanto tempo para escrever três emails.

Este trabalho invisível determina se os seus quinze mil euros de investimento em media vão gerar trezentos mil euros em pipeline comercial ou zero conversões. A diferença não está na criatividade do copy nem na elegância do design.

Está nas dezassete decisões analíticas que tomou antes de escrever a primeira palavra, decisões que o seu público nunca verá mas que determinam se ele responde ou ignora a sua mensagem.

Se neste momento está a preparar uma campanha e não consegue explicar em duas frases porque escolheu aquele canal específico para aquele público específico com aquela mensagem específica, não tem uma campanha. Tem uma esperança dispendiosa.

O que acontece antes da execução?

Antes de qualquer peça criativa ou mensagem pública, existe uma fase de trabalho analítico que define a direcção da campanha.

Esta fase inclui a análise do comportamento do público-alvo, a identificação dos canais com maior probabilidade de conversão e a definição de métricas que permitam avaliar o desempenho.

Empresas que saltam esta etapa tendem a investir recursos em campanhas que geram visibilidade mas não produzem resultados comerciais mensuráveis.

Um exemplo concreto: uma campanha B2B que parece resumir-se a três emails e uma landing page pode ter exigido semanas de testes A/B sobre linhas de assunto, análise de taxas de abertura por sector e ajustes na segmentação da base de contactos.

O formato final simples esconde múltiplas iterações eliminadas porque os dados mostraram baixo desempenho.

Decisões que passam despercebidas

Durante a execução, cada elemento visual e textual responde a critérios definidos. A escolha de uma cor, a hierarquia da informação numa página ou a duração de um vídeo resultam de testes prévios e conhecimento acumulado sobre o que funciona para aquele público específico.

Campanhas que parecem ter uma mensagem directa passaram frequentemente por várias versões rejeitadas porque não comunicavam com clareza ou não geravam a acção pretendida.

A simplicidade também exige restrição. Equipas experientes eliminam elementos que poderiam parecer interessantes mas que diluem a mensagem central. Esta capacidade de síntese desenvolve-se com experiência e conhecimento do mercado, não surge por intuição.

Implicações para a gestão de marketing

Para CEOs e empresários, compreender este processo tem consequências práticas. Campanhas rápidas e aparentemente simples têm um custo que reflecte o trabalho de preparação.

Tentar reduzir esse investimento normalmente resulta em campanhas que falham em atingir os objectivos comerciais, desperdiçando o orçamento de media.

Segundo dados da Nielsen, 56% das campanhas que não atingem os KPIs definidos falharam na fase de planeamento estratégico, não na execução criativa. O problema não está na ideia, mas na ausência de fundamento analítico que a sustente.

O que avaliar antes de aprovar uma campanha?

Antes de avançar com uma campanha, existem perguntas que um decisor deve fazer à equipa responsável.

Que dados suportam a escolha deste canal? Quais os critérios usados para definir a mensagem principal? Que testes foram realizados antes do lançamento?

Se a equipa não conseguir responder com factos concretos, a campanha tem maior probabilidade de falhar.

Empresas que documentam o processo de decisão em cada campanha criam conhecimento institucional que melhora os resultados ao longo do tempo. Esta prática permite identificar padrões que funcionam para o sector específico e reduz a dependência de intuições individuais.

Se está a planear uma campanha ou a avaliar propostas de agências, concentre-se no processo de trabalho apresentado, não apenas no resultado final. A qualidade da preparação determina a eficácia da execução.

Carla Delgado

Profissional de comunicação e copywriting com mais de 12 anos de experiência no digital e ex-jornalista, com mestrado em Novos Media. Ajuda pequenas e médias empresas portuguesas e empreendedores a atrair, converter e reter o cliente ideal através de estratégias de marketing de conteúdo e geração de leads, sem custos de uma equipa interna completa.

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