A maioria das empresas gasta recursos significativos a tentar decifrar os algoritmos das redes sociais. Dados recentes mostram que 73% dos gestores de marketing ajustam a sua estratégia de conteúdos com base em mudanças de algoritmo, segundo a HubSpot (2024).
Mas existe uma abordagem diferente que algumas organizações estão a adoptar e que apresenta resultados mais sustentáveis.
A diferença entre alcance e lealdade
O alcance mede quantas pessoas vêem o seu conteúdo. A lealdade mede quantas voltam por vontade própria.
As empresas que perseguem o algoritmo conseguem picos de visibilidade temporários. As que constroem lealdade criam um activo que não depende de decisões externas sobre o que é mostrado ou escondido.
Um estudo da Edelman (2023) demonstra que 81% dos consumidores precisam de confiar numa marca antes de comprar.
Esta confiança não se constrói com táticas de optimização. Constrói-se com consistência, transparência e valor entregue de forma previsível.
O que fazem as empresas que escolhem lealdade?
Estas organizações concentram-se em três práticas mensuráveis:
∙ Publicam conteúdo baseado nas necessidades reais da sua audiência, não nas tendências da plataforma.
∙ Mantêm uma linha editorial consistente que permite ao público saber o que esperar.
∙ Investem em canais próprios (newsletter, podcast, comunidade) onde controlam a distribuição de conteúdo.
A Gartner identificou em 2024 que empresas com estratégias de “owned media” robustas registam taxas de retenção de clientes 34% superiores às que dependem exclusivamente de plataformas de terceiros.
As consequências de perseguir o algoritmo
Quando uma empresa altera a sua comunicação sempre que a plataforma muda as regras, transmite inconsistência.
O público deixa de reconhecer a voz da marca. Os colaboradores perdem tempo a adaptar formatos em vez de desenvolver ideias com substância.
Além disso, cria-se uma dependência: se amanhã o LinkedIn decidir privilegiar outro tipo de conteúdo, todo o investimento em compreender o sistema actual perde valor. É uma posição de fragilidade estratégica.
Como implementar uma estratégia centrada em lealdade
Recomenda-se que identifique um problema específico que a sua empresa resolve e produza conteúdo sistemático sobre esse tema.
Não é necessário publicar diariamente, mas é essencial que, quando publique, o faça com profundidade e utilidade.
Construa um canal directo com a sua audiência: uma newsletter com 500 subscritores activos vale mais do que 10.000 seguidores que apenas vêem o seu conteúdo quando o algoritmo permite.
No primeiro caso, controla a distribuição; no segundo, está à mercê de decisões externas.
Meça o envolvimento real: quantas pessoas respondem, partilham com contexto próprio, ou procuram ativamente o seu conteúdo?
Estes indicadores revelam lealdade; as métricas de impressão revelam apenas visibilidade passiva.
Se a sua empresa depende exclusivamente de plataformas de terceiros para comunicar com clientes, está a assumir um risco desnecessário.
Se os resultados do seu marketing variam drasticamente com cada mudança de algoritmo, o problema é estrutural.
Vale a pena avaliar quanto tempo a sua equipa dedica a “descodificar” plataformas versus quanto tempo dedica a compreender profundamente os problemas dos clientes.
O segundo investimento constrói activos duradouros; o primeiro constrói dependência.
Estamos na era da “fadiga do algoritmo”. Você prefere uma marca que alcança 1 milhão de pessoas erradas ou 100 tomadores de decisão qualificados?


